Intenções para o Projecto Pessoal

“Sempre que vejo a palavra Design escrita na capa de um livro que não conheço, abro-o, folheio-o; se lá dentro só encontrar cadeiras, volto a pô-lo na estante. A maioria dos livros portugueses de design sofrem do mesmo mal que alguns cinemas: excesso de cadeiras. Quando se fala de design em Portugal, quer-se dizer mobiliário ou imobiliário, mas raramente algo tão intelectual como uma publicação. Se calhar tem a ver com a nossa mentalidade terra-a-terra, de alfabetização recente, capaz de apreciar o bom desenho de uma casa, carro ou mesmo peça de roupa mas não consegue estender essa consideração a objectos menos utilitários e duradouros como revistas ou livros. Com tudo isto não quero dizer que o design editorial é mais incompreendido que o Design de interiores, de moda ou de equipamento — afinal, a inocência do público português estende-se a todas as áreas do Design. Damos mais atenção às cadeiras e aos carros, aos vestidos e às casas por causa de um mal-entendido: estes são vistos como objectos materiais, investimentos, propriedades; os livros e as revistas são objectos espirituais. É feio julgar um livro pela capa e, naturalmente, interessa-nos mais o que está escrito do que o aspecto do que está escrito.”
In Ressabiator, 29 de Março de 2004, “Incompreensão”.

Utilizo este texto como alicerce para a minha proposta porque coloca questões, de uma forma clara e objectiva, sobre aquilo que me desperta alguma inquietação e que de algum modo gostava que fosse o pontapé de saída para o desenvolvimento do meu projecto pessoal.
Reflectir sobre o “design”, mais especificamente, sobre o “design contemporâneo português”, sobre o seu papel cultural cada vez maior é uma das minhas preocupações. Penso que fazê-lo seria importante não só para ter um conhecimento mais profundo do que se passa na nossa sociedade, mas acima de tudo para desenvolver uma atitude auto-crítica sobre o assunto.
A forma como irei desenvolver o meu projecto não está absolutamente definida, mas passaria inicialmente por uma fase de pesquisa que findaria com uma selecção de trabalhos contemporâneos na área do Design de Comunicação.
Numa segunda fase analisaria os mesmos, de forma a desenvolver um estudo sobre eles: sobre as fases que antecedem a sua reprodução final – os bastidores; passando não só pela parte conceptual do processo mas abrangendo também a parte técnica. Nesta fase recorreria, se possível, ao contacto directo com os autores/designers dos projectos em questão de modo a confronta-los e assim perceber melhor o processo criativo que os conduziu ao resultado final. Perceber também até que ponto o design se limita a responder a questões específicas colocadas pelo cliente ou se vai mais além actuando “como catalisadores culturais”.
Numa terceira fase pensaria na melhor forma de “expor” o “material recolhido”.

Candidatura para proposta de Projecto.

O projecto no qual gostaria de participar é: a Exposição “Sino-FBAUP”. Este projecto alicia-me porque se encontra relacionado com o projecto a que me proponho realizar este ano.
Além da experiência muito positiva de uma visita à empresa realizada no ano passado com o Professor Eduardo Aires, em que estive em contacto directo com a filosofia e trabalho da “Sino Design”, este projecto partilha ideais como as que expresso no meu “projecto pessoal”, servindo de estímulo para um trabalho mais gratificante e coeso.
Reconheço que seria uma boa oportunidade para uma reflexão sobre “uma parte” do Design Contemporâneo Português, além do objectivo principal ser a concepção e realização da exposição, área pela qual tenho algum interesse, mas infelizmente quase nenhuma experiência – a experiência que tenho tido nesta área foi àquela que foi incentivada pela cadeira de Fotografia este ano, apesar de “pouca” cativou a minha atenção.
Outro aspecto é o facto de ser um trabalho em “equipa”, o que possibilita ainda mais o intercambio de conhecimentos, fazendo com que o desenvolvimento de uma atitude auto-crítica seja maior. [topo]