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“ATLAS ENCICLOPÉDIA”

Proposta:
Construir um Atlas / Enciclopédia só com imagens fotográficas. Para tal aconselha-se a exploração de formas consensuais de observar, perceber e interpretar a realidade, reflectindo os conceitos apresentados.

Desenvolvimento:
[Método]

Para o desenvolvimento desta proposta segui três passos essenciais:
- Pesquisa: nesta fase elaborei uma pesquisa sobre os conceitos apresentados de forma a identificar o universo que pretendia descrever.
- Definição: nesta fase tentei especificar e definir, o melhor possível, o modelo que pretendia utilizar.
- Pensar a fotografia: finalmente nesta fase tentei definir o modo como a fotografia iria actuar no modelo escolhido, não esquecendo que deveria ser objecto de comunicação objectiva, concisa e descritiva.

[Produção]

O universo por mim escolhido foi o da “ENCICLOPÉDIA”.
De uma forma sucinta farei uma descrição deste conceito a partir do qual o meu trabalho foi pensado.
Tendo em conta que existem diversos tipos de enciclopédias – enciclopédia genérica, especializada, filosófica, etc. – tomei a liberdade de fazer com que a enciclopédia por mim construída fosse uma enciclopédia especializada.
Em relação ao conceito de enciclopédia não nos podemos esquecer que se trata “invariavelmente de uma obra mais ou menos volumosa que apresenta, sem pretensões de originalidade, um panorama que se pretende completo, imparcial e objectivo do conjunto dos conhecimentos disponíveis numa determinada época.
A enciclopédia apresenta-se como a exposição da totalidade do saber adquirido pela humanidade até um determinado momento.” *
Outro aspecto essencial e que merece destaque é o facto da enciclopédia não ser para ser lida, mas sim consultada. “Pela sua natureza descontínua e combinatória da sua textualidade, a enciclopédia oferece ao leitor a possibilidade de construir os seus próprios percursos de leitura, de acordo com os seus interesses e preferências.” *
Tendo em conta a descrição acima feita comecei por definir, também, o universo que seria o meu objecto de estudo: os sapatos femininos.
A partir daí inicie o trabalho fotográfico.


Produto
O resultado foi a captação de grandes planos dos objectos em questão, que variam nos pontos de vista. Os ângulos utilizados são ângulos invulgares, desusados que não correspondem a visão que temos deles na realidade.
Apesar de serem objectos mundanos, do dia-a-dia, a forma como foi feito o seu estudo nos remete para um outro campo, quase que até para um campo de investigação criminal.
As fotografias recolhidas documentam estes objectos “numa escala e numa exactidão tipológica” que os torna estranhos. Os objectos parecem ganhar vida, parecem posar para a câmara como um modelo “vivo”.
A sua colocação no espaço numa superfície neutra, igual para todos eles, faz com que flutuem no espaço e reforcem o olhar objectivo, conciso, directo e quase que clínico que se pretende evidenciar.
Embora parta de objectos reais, a nossa percepção nos conduz para um sentido distinto da realidade, quase que torna a nossa visão numa mera ilusão, remetendo-nos para uma outra realidade, consoante a nossa interpretação.


Output
Ao longo do desenvolvimento desta proposta tive sempre em atenção o possível “output” que deveria condensar as minhas ideias. Sendo assim e tendo em conta todo o processo, o objecto concreto para conter o meu trabalho é um “CD-Rom”.
A escolha deste dispositivo de apresentação deve-se a vantagem de ser portátil e de poder conter conteúdos mais diversos como animação, áudio, etc, impossíveis de serem introduzidos numa publicação tradicional.
Além disso tive em conta que o acto de leitura corresponde a um acto de procura, de investigação, acto que faz parte do conceito de enciclopédia. Desta forma torno a leitura inevitavelmente interactiva, oferecendo ao “espectador” a oportunidade de construir o seu próprio percurso de leitura de acordo com os seus interesses no momento, reforçando assim a ideia de enciclopédia. [topo]