Uma pessoa avalia um objecto de design gráfico de fora para dentro, a
começar pela lombada ou capa, depois olha com atenção o aspecto e
composição das páginas e, finalmente, se for caso disso, lê a coisa.
Para quem - como eu - não gosta de comprar na net, este processo é
insubstituível. Permite namoriscar o livro, revista ou catálogo, mesmo
sabendo que, na maioria dos casos, não se lhe consegue resistir. Graças
a este hábito, no entanto, quase ia deixando escapar um bom livro sobre
design, apenas porque o título na sua lombada é mais comprido (e
graficamente ilegível) que os soundbites habituais: “Communicate:
Independent Graphic Design since the Sixties”.
Já faz dez anos que vi pela primeira vez um número da Acme
Novelty Library de Chris Ware. Lembro-me que cada página
tinha dezenas de quadradinhos cheios de animais estilo
desenho animado. O design lembrava as revistas e jornais
densamente ornamentados do início do século XX. Na altura
não comprei, embora me tenha ficado na memória. Não o fiz
talvez por excesso de design – porque se pareciam mais com
objectos do que com histórias. Ainda hoje sinto isso, mas
com o tempo aprendi que os comics de Chris Ware se instalam
precisamente numa ambiguidade entre objecto e narrativa.
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