O acto de “derivar” pode ser visto como um processo intimamente relacionado com o inconsciente, dado que não temos um destino definido ou consciência dos locais para onde nos dirigimos, nem mesmo da duração do tempo.
Para realizar este exercício referente ao conceito de “deriva”, defini previamente uma deambulação em grupo orientada por um líder, que iria alternando a liderança com outros membros quando assim entendesse. Decidi que essa deriva teria a duração de uma hora e coloquei a máquina digital suspensa no pescoço. Em cada vez que existia uma mudança de líder, tínhamos a consciência dessa mudança e que teríamos de seguir outro membro do grupo. Aí começava mais uma fase do processo inconsciente, e nesse preciso momento da mudança, seleccionava o modo automático e passados alguns segundos a máquina disparava a foto. A imagem resultante marcaria mais uma etapa do processo inconsciente da “deriva”, registando o inconsciente do líder e o inconsciente colectivo, e complementando a memória de todo o grupo. Posteriormente, fiz uma selecção das imagens que considerei mais representativas dessa “deriva” colectiva.
Elisabete Ribeiro
Fotografia II . Fbaup 2005
Portfolio Elisabete Ribeiro