Exercício Teórico 01.
Esta é uma imagem produzida por Erik Nitsche, um modernista relutante, contemporâneo de Lester Ball, Paul Rand e Saul Bass. Nasceu na Suíça em 1908, trabalhou na Alemanha e em França, e acabou por emigrar para os EUA em 1934.
Em 1950 começou a representar a General Dynamics, uma multinacional em expansão que incorporava diferentes empresas, entre elas, a General Atomic. No início dos anos 50, a energia nuclear pretendia ser sinónimo de paz e progresso. A General Dynamics julgava estar em posição de beneficiar a humanidade através da descoberta científica. Assim, em 1955, deu liberdade total a Nitsche para criar uma série de cartazes para a Conferência Internacional sobre o Uso Pacífico da Energia Atómica.
Esta imagem, criada provavelmente no final da década de 50, é decorrente dessa estética abstracta e simbólica que caracterizou a obra de Nitsche nesta altura.
Recorrendo à fotografia, à fotomontagem, cria princípios de fluxo dinâmico baseados em escala, repetição e justaposição de elementos de forma essencialmente circular, numa grelha que se desenvolve também ela circularmente, convergindo num ponto mais iluminado.
São visíveis vários layers de informação, que conferem à imagem uma dinâmina inegável, o movimento de um reactor em funcionamento, os átomos em deslocação.
É o elogio à era atómica, nuclear e espacial, que proliferou pelo mundo a partir da Segunda Guerra Mundial.
Mesmo na ausência das palavras ‘General Atomic’, toda a estética da imagem nos remete para estes temas. A tipografia é utilizada de um modo que evoca o modernismo mas, ao mesmo tempo, o clássico e o integro.
Nesta imagem destacam-se imediatamente os traços do construtivismo soviético, como as composições de elementos geométricos simples (quadrado, rectângulo e círculo); a severidade; a atitude revolucionária do indivíduo, cuja postura indicia acção.
A tipografia, que normalmente se a-liava a estas composições fazendo parte da própria imagem, apresenta-se, neste caso, contrariando as linhas oblíquas.
Também a temática, que habitualmente se situava na esfera política, parece ser aqui contrariada. A opção das cores azul e amarelo, em detrimento do vermelho, intimamente ligado à propaganda política do pós-revolução, parece indicar que a temática deste cartaz talvez diga respeito a um qualquer evento cultural, possivelmente a exibição de um filme ou de uma peça de teatro.
Tudo isto leva a pensar que este cartaz, embora se tenha baseado na estética do construtivismo soviético, seja posterior a essa época, quer pelo carácter não assumidamnete político, como pela escolha das cores, como pela disposição da tipografia, que apesar de denotar uma certa severidade, não se restringe cegamente à grelha, contrariando mesmo a obliquidade das linhas de força do cartaz.
No que diz respeito aos elementos a branco visíveis no canto superior esquerdo, parecem alusivos à fachada de um edifício, possivelmente uma fábrica, ideia que o pequeno candeeiro parece reforçar. Também estes se apresentam ortogonalmente, não parecendo integrados numa grelha muito rígida. O intuito da sua presença no cartaz talvez esteja ligado à temática do suposto evento cultural que parece ser aqui anunciado.
Quanto às técnicas utilizadas, pode-se supor que tenha sido a pintura, talvez recorrendo ao aerógrafo. A cabeça da personagem, no entanto, aparenta ser fotografia, recortada e posteriormente colada no cartaz, fazendo assim com que se destaque do corpo e do próprio fundo.
Esta imagem parece ter a sua origem nas primeiras décadas do século XX, anos 10/20, integrada no estilo Art Deco, que se havia difundido em todos os aspectos da vida quotidiana entre as duas grandes guerras, fazendo com que todas as forma de arte e ofícios se rendessem a uma nova sensibilidade.
O período entre as duas grandes guerras foi marcado pelo contraste entre a euforia dos Anos Loucos da “era da prosperidade”, e a miséria da Grande Depressão, assim como, a agitação social e política que antecedeu a Segunda Guerra Mundial.
Por isso, este estilo soube ser alegre, leve e frívolo em muitas das suas concretizações, mas também grave e austero noutras.
Esta imagem parece ser uma mistura de ambos, frívola da temática mas grave na estética. Aparentemente publicita um mestre chapeleiro, um ofício indispensável à indumentária da época, mas fá-lo de um modo austero, com personagens de olhar sério e até intimidante, recorrendo a cores sóbrias.
A Art Deco assimilou e aproveitou conceitos plásticos e estéticos das vanguardas pictóricas, escultóricas e arquitectónicas do seu tempo (Cubismo, Futurismo, Neo-plasticismo, Suprematismo...), bem como a influência da arte africana e exótica. Esteticamente retirou a sua inspiração das formas geométrico-abstractas que reproduziu através de um desenho estilizado e geometrizado, baseado na linha recta ou quebrada, em contraposição com curvas traçadas a compasso.
Nesta imagem podemos observar essa clareza de formas, acentuada pela forte bi-dimensionalidade, assim como pelo alto contraste que confere à imagem diversos planos de leitura. A pureza das formas geometrizadas, a redução dos pormenores ao mínimo, a simplicidade da tipografia, o sentido de exotismo e austeridade no olhar das personagens contribuem para colocar a imagem na estética da época.
Em termos técnicos, o processo utilizado parece ter sido a pintura, num registo estático e de procura de formas simples, circulares e cilíndricas.
Esta imagem destaca-se, à primeira vista, pela repetição da figura masculina e pelo conjunto de elementos visível ao centro. Esta disposição dos elementos da imagem resulta numa espécie de simetria, pois, embora ambos os lados não sejam exactamente iguais, guiam-se por um eixo vertical central que os organiza e equilibra.
O degradé torna a imagem mais pesada em baixo e indica uma qualquer espécie de progressão, como se fosse um processo de desenvolvimento ou maturação.
Esta ideia pode ser reforçada pelas linhas de boa continuação presentes na imagem: as associadas à perspectiva, as presentes tanto no fato da personagem masculina como nas folhas do elemento natural, assim como nas linhas mais rígidas dos quadriláteros azuis, ou na linha mais expressiva na raíz da flor.
A repetição da figura masculina, assim como o seu posicionamento face aos elementos centrais, dão a ilusão de que, numa primeira instância, a personagem estaria a absorver o contéudo daquilo que vê, e levaria depois consigo o resultado dessa observação à medida que se afasta e prossegue com a sua vida.
As características da imagem remetem-na para o surrealismo, embora pareça bastante mais actual, algures entre os anos 80/90. Foi buscar os traços do sonho, da metáfora, do inverosímil e do insólito, contribuindo para a elevação do espírito, separando-o da matéria. Tal como no surrealismo, procurou exprimir através da imagem o verdadeiro funcionamento da imaginação, da memória. Parece ser o correr do pensamento descrito livremente sem preocupações racionais. No entanto, certos elementos colocam-na na década de 80, possivelmente início da década de 90, tais como, o aspecto geral da figura masculina, desde o corte de cabelo, ao fato, à postura, assim como o acentuado degradé, muito utilizado nos anos 80.
As técnicas utilizadas parecem ser o desenho, a fotografia, as colagens, recorrendo a elementos diversos, desde humanos a naturais, passando por figuras mais geométricas, quer planas quer tridimensionais.