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sinopse_fincher, david - “fight club”, 1999.

O personagem interpretado por Edward Norton demonstra no início do filme que sofre de insónia e afirma que quando se tem insónia não se está verdadeiramente acordado nem realmente a dormir. Está-se no limbo, num estado intermédio. Pode-se fazer um paralelismo entre esta ideia de insónia e o seu estado psicológico, revelado no ultimo acto, onde toma consciência que o seu amigo interpretado por Brad Pitt é de facto o seu alter-ego, é ele próprio. De facto a ruptura entre estes dois personagens que fazem parte da mesma pessoa pode nos demonstrar que, ainda que simbolicamente, esta insónia nada mais é que uma indecisão quanto à sua própria personalidade, onde um é o oposto do outro.

Assim preenchido por uma vida enfadonha e consumista onde navega por catálogos do IKEA prendendo-se aos bens materiais sente necessidade de desabafar a suas frustrações e acaba em vários grupos de auto-ajuda relacionados com várias doenças das quais ele não sofria. Ele afirma quando encontra Marla, que ia aos mesmos grupos por razões semelhantes: “When people think you’re dying, they really, really listen to you instead of...” “Instead of just waiting for their turn to speak...” onde ela acaba a frase. Pode-se fazer também um paralelismo entre esta atitude e o narrador do filme. Ou sendo o narrador o personagem de Edward Norton este pode existir apenas pela mesma razão a que vai a estes grupos, onde nós como espectadores o ouvimos com toda a atenção.

Ele acaba por afirmar que a mentira de Marla reflectia a sua mentira. Nisto a ruptura acontece e surge numa das suas viagens o seu alter-ego já pressagiado através dos frames subliminares inseridos no filme. Este subtil jogo é também interessante pois este é uma personagem também subliminar na sua mente e não é por nada que um dos seus empregos seja num cinema onde acaba por inserir frames subliminares pornográficos em filmes de família. Este liberta-o de todos os bens materiais explodindo-lhe o apartamento que que ele dizia ser a sua vida. E vai despojando-o cada vez mais e fazendo-o quebrar barreiras impostas pela sociedade (leis, questões éticas e/ou moralistas, etc...). Criando assim o “fight club” onde cada pessoa poderia se libertar dessas amarras lutando e abraçando a violência como uma forma de terapia, trabalhando na aceitação contra-corrente às normas da sociedade. Até que este projecto vai evoluindo tomando proporções maiores formando o seu “exército” privado o ajuda a destruir todas as formas de consumismo: estabelecimentos de consumo como cafés, lojas de computadores, etc...

Este filme pretende ser um comentário a como as pessoas na sociedade moderna tentam encontrar um significado nas suas vidas através da cultura comercial.

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